segunda-feira, 13 de abril de 2020

Meu prego de estimação

Eu era muito pequena, mas nunca esqueci da história que um pregador contou na igreja que eu fazia parte. Ele disse que certa vez um homem chegou a casa e decidiu pendurar um prego bem no corredor principal da mesma. Após tomar sua decisão de onde seria o melhor local ele foi até sua caixa de ferramentas, pegou o maior prego que estava ali, o mais novo e o que mais chamava a atenção e o fixou onde havia escolhido. Seu objetivo era apenas um: ver como sua família se comportaria com aquele prego grande e vazio bem no meio da casa. Naquela tarde aquele homem precisou fazer uma viagem de trabalho. Ele se despediu então de sua esposa e filhos e se dirigiu para seu destino. Lá passou por tantos estresses que acabou por se esquecer do prego que havia deixado para trás. 

Os dias se passaram e assim que conseguiu resolver tudo o que precisava ele voltou para casa com apenas uma coisa em mente: rever sua família e então deitar em sua aconchegante e quente cama para descansar. Ele não avisou que chegaria naquele dia pois queria fazer surpresa para todos inclusive porque todo aquele estresse rendeu uma bela promoção de cargo. Assim que chegou a sua garagem ele respirou fundo e entrou em casa. Ouviu ao longe a linda voz de sua esposa que cantarolava alguma coisa com seus filhos pequenos. Se sentiu em paz. Mas antes que pudesse anunciar sua chegada algo lhe chamou atenção no corredor principal: o seu prego. O homem ficou perplexo ao notar que um casado, um guarda-chuva e duas bolsas estavam penduradas ali. Ao lado do prego o cabideiro de chão (onde ficavam essas coisas antes) estava totalmente vazio. Por um momento aquele homem ficou fitando a figura do prego cheio de objetos que antes não existiam ali e ponderando se aquela havia sido a escolha certa.


Se essa história é verídica ou não, eu não sei; porém uma coisa é fato: não podemos ver um gancho, prego ou cabideiro vazio que logo queremos pendurar alguma coisa. Eu experimentei isso quando me mudei para a casa onde resido hoje. Antes disso eu e minha irmã não possuíamos um quarto. Dormíamos em uma bicama na sala de nossa casa e quando enfim nos mudamos para uma casa com quarto meu maior desejo era que ele ficasse com a nossa cara. Assim que nos mudamos eu e minha irmã tratamos de organizar nossas coisas e eu notei que em duas das quatro paredes existiam ganchos de rede. A princípio ele ficaria ali apenas como um detalhe até que comprássemos uma rede, mas com o passar do tempo se tornou um ótimo lugar para pendurar a mochila da escola, a bolsa da igreja, a mochila do clube e assim por diante. Por vezes nem nos dávamos conta do tanto de coisa que pendurávamos ali mesmo que antes elas possuíssem outro lugar para estar.

A história do homem que contei no início e a lembrança dos ganchos da minha parede me fizeram refletir sobre um fato muito interessante que tem movido a vida de muitos jovens na atualidade: os pecados de estimação. A origem da palavra pecado, no hebraico, se originou no termo chattat que , de modo geral, significa errar o alvo, mudar a direção. Ou seja, tudo aquilo que se distancia e se afasta do melhor de Deus para nossa vida (que é deve ser o centro fixo de nossa vida) é considerado pecado. 

Um fato inegável é que nós nascemos em um contexto de pecado. Sobre isso Davi foi bem enfático ao dizer: " Eu nasci na iniquidade e em pecado me concebeu a minha mãe." Salmos 51:5. Vivemos em um mundo de iniquidade desde que os pais da humanidade tomaram do fruto proibido e comeram. Enquanto Jesus não voltar para restaurar o mundo e a nós, seremos considerados pecadores desde o nosso nascimento. Sabemos que é uma realidade da qual não podemos nos abster, porém podemos sempre fazer a escolha de procurar fazer o que é certo, de buscar o caminho certo. Ainda seremos pecadores, mas sempre com a total consciência do perdão de Deus. 

Existem, porém, pessoas que têm tratado seus pecados quase como bichos de estimação. Sabem que eles estão ali, a espreita, mas já não pesam-lhe mais a consciência. São aqueles que chamamos de pecados acariciados. Eu creio que você saiba do que eu estou falando. Estou falando daquela transgressão que sempre cometemos, sabemos que é errado, mas já não nos pesa mais a consciência. Ouvimos pregações a respeito, lemos sobre isso em nossas bíblias e às vezes até amigos nossos guiados pelo Espírito Santo chegam para tratar sobre o assunto, mas ainda assim não nos damos conta. São os pecados que o inimigo pendura em nossa vida. O prego fica apenas ali, numa parede solitária e escondida e nem percebemos que vezes após vezes estamos colocando mais e mais transgressão sobre ele. 

Hoje eu entendo que onde há pecados não confessados há também um prego de Satanás e ali ele vai depositando dia após dia transgressões. Ali ele coloca todo tipo de sujeira, todo tipo de maldade. As recaídas são frequentes porque não existe o senso de que aquela atitude está errada e quando pensa em mudar aquilo algo lá no fundo da sua mente te convence de que Deus não te ouvirá porque você está longe demais e afastado demais. Na meditação de hoje eu gostaria de deixar uma verdade para você: Deus pode te libertar dessa realidade. Deus pode te ajudar a eliminar tudo isso que está pendente na sua vida. Mas o primeiro passo precisa ser seu! Você precisa tirar esse prego da parede de sua vida espiritual e clamar dizendo: "Senhor, liberta-me." Certamente Deus imediatamente irá colocar sua vida de volta nos trilhos. 

Talvez essa seja a chave para que você muda de vida, para que tudo mude. Às vezes não nos damos conta do quanto o pecado é prejudicial para nossa saúde emocional e física. Certa vez o salmista Davi disse: 

"Enquanto eu mantinha escondidos os meus pecados, 
O meu corpo definhava de tanto gemer.
Pois dia e noite a tua mão pesava sobre mim;
Minhas forças foram-se esgotando como em tempo 
de seca. Então reconheci diante de ti o meu pecado.
E não encobri as minhas culpas.
Eu disse: confessarei as minhas transgressões ao Senhor,
E tu perdoaste a culpa do meu pecado." Salmo 32:3-5

Quando não confessada a transgressão cria uma doença maligna que envolve nosso ser trazendo paralisia, agonia e desesperança. Aproveite esse momento em que você está com a mente mais desocupada e mais tranquila para reavaliar a sua vida. Reflita sobre cada uma dessas coisas que estão penduradas no seu prego de estimação e decida hoje mudar essa realidade. Decida hoje convidar a Deus para trazer uma restauração completa em você. 

Que a minha e a sua oração hoje seja: "Vê se em minha conduta algo te ofenda, e dirige-me pelo caminho eterno." Salmo 139:24. Aquele que é justo está apenas esperando uma única atitude para nos mudar por completo. 

Que a Graça e a Paz de Cristo estejam com você.





Jesus Venceu


O ano era 1990 e duas forças militares lutavam para conquistar o mesmo espaço. De um lado as tropas do Iraque, do outro a força da coalização internacional liderada pelos Estados Unidos e patrocinada pela Organização das Nações Unidas (ONU). O espaço que eles disputavam era o Kuwait ocupado e anexado pelas forças armadas iraquianas sob as ordens de Saddam Hussein. Essa disputa histórica ficou conhecida como guerra do Golfo e durou cerca de sete meses.

Um primeiro ponto que eu gostaria de destacar é o fato de que em toda guerra são necessários dois lados opostos que buscam conquistar um mesmo espaço. A bíblia nos diz: "Houve peleja no céu. Miguel e os seus anjos pelejaram contra o dragão. Também pelejaram o dragão e seus anjos." Apocalipse 12:7 Interessante notar que, assim como na guerra do Golfo, a guerra que houve no céu possuía dois lados opostos lutando por um dom[ínio. O texto destacado diz que de um lado estava o Dragão e do outro Miguel, cada um com suas "forças militares". Fico imaginando como foi essa guerra... Com toda a certeza não existiam os paramentos militares que conhecemos hoje em dia e muito menos arma de fogo. Mas a guerra foi travada e um dos lados prevaleceu: Miguel venceu essa guerra no céu e expulsou o dragão e seus anjos (veja Apocalipse 12:8-9). 

Como bem sabemos a guerra não acabou ali. O dragão não se deu por satisfeito e começou a procurar um ugar para dar prosseguimento a essa guerra. Achou espaço no planeta terra: seduziu a mulher e a fez cair levando também seu marido a perdição. E desde que o pecado entrou no coração humano que temos enfrentado dia após dia lutas, tribulações, que fazem parte de um conflito cósmico. 

A verdade que eu gostaria de deixar nesse post é a verdade de esperança que tenho carregado em minha vida e em meu coração. Tudo parecia escuro e sem esperança quando um menino nasceu e levou sobre si o julgo que nós deveríamos carregar. Isaías diz que o povo que andava nas trevas viu a luz e aqueles que viviam à sombra da morte puderam enxergar vida. Voluntariamente Ele deixou seu trono e desceu até a terra para dar fim a essa guerra. Numa sexta feira seu coração parou e por três dias o inimigo de nossas almas achava ter vencido, mas num domingo de manhã ele ressuscita levando consigo as chaves da morte e do inferno (veja Apocalipse 1:18). 

A morte de Jesus é, para nós, um símbolo de libertação. Não precisamos mais ser escravos do pecado.  Ainda teremos que viver nesse mundo por algum tempo. Teremos que sofrer, passaremos por momentos muito difíceis, por dias ruins por mais algum tempo, mas a vitória já foi decretada. Satanás não reinará para sempre. O mal acabará. O mal terá um fim. Ele foi derrotado na cruz! Ele foi derrotado quando o cordeiro foi morto pela remissão do meu e do seu pecado! A guerra continuará em nosso coração pois o inimigo já sabe que perdeu e quer levar muitos com ele. Ele quer mostrar para Deus que o sacrifício não valeu a pena, que o ser humano não o ama o suficiente para viver eternamente. 

Sabe qual o nosso papel nessa guerra? Nosso papel é apenas aceitar! Aceitar o sacrifício de Jesus, aceitar a verdade contida nessa história. Aceitar Ele como libertador. Aceitar Ele como salvador pessoal.  Ele não entrará em seu coração como intruso, mas está esperando que você apenas olhe para a imagem de amor refletida na cruz e diga: EU ACEITO!

Não esqueça: "Porque Deus amou ao mundo de tal maneira que deu Seu filho unigênito, para que todo aquele que Nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna." João 3:16
Creia! 

quarta-feira, 1 de abril de 2020

Fora de controle

Uma das febres do bairro onde nasci eram os parques itinerantes de diversão que pelo menos uma vez no ano se instalava num terreno vazio localizado próximo à saída do bairro. Lembro-me de ficar ansiosa por sua chegada. Quando eu passava e via o caminhão estacionado eu já sabia que em breve um lindo parque, com luzes e fumaça estaria montado e nós poderíamos nos divertir. Eu tinha uma dupla perfeita para as visitas ao parque: meu primo três anos mais velho que eu. Nós nos conhecíamos desde sempre e todas as vezes que tínhamos a oportunidade estávamos juntos para nos divertir.

Um dia em que fomos ao parque estávamos em dúvida de qual brinquedo escolher. Eram nossas duas últimas fichas e não queríamos ir separados nos brinquedos. Após avaliar bem a situação ele me convenceu de que deveríamos ir nos carrinhos de bate-bate. A princípio parecia um brinquedo sem muitas dificuldades. O objetivo era só dirigir e bater nos outros carros. Seria fácil! Assim que entramos no brinquedo e entregamos os ingressos um rapaz, monitor do brinquedo, nos dirigiu até os carrinhos e nós escolhemos, cada um o seu. Ele então perguntou se precisaríamos de ajuda para pilotar. Meu primo, mais velho que eu, disse que conseguiria brincar sem ajuda. Eu não poderia ficar para trás, então disse que estava tudo certo, que eu também saberia brincar sozinha. Como eu estava errada... 

Assim que a brincadeira começou eu percebi que nem sequer conseguia tirar o carro do lugar. Precisei da intervenção do rapaz que no início havia oferecido ajuda. Hoje, enquanto lia algumas coisas a respeito de confiança, lembrei dessa história e creio que hoje podemos aprender um pouquinho com ela.


Na bíblia existem vários exemplos de pessoas que resolveram confiar na vontade de Deus para guiar suas vidas, mas também existem relatos de pessoas que fizeram exatamente o contrário. Hoje eu gostaria de destacar a história de um dos reis de Israel. Seu nome era Josias e o relato de seu reinado aparece em 2 Reis 22.  Antes de conhecer sua história se faz necessário entender o contexto familiar no qual ele estava inserido.

Seu bisavô era Ezequias. O relato bíblico diz que Ezequias estava no auge de seu reinado quando foi acometido de uma terrível doença mortal. O profeta Isaías veio até ele com uma sentença de morte, então o rei orou e Deus lhe deu mais 15 anos de vida. Para confirmar Sua palavra, Deus deu a ele um sinal: fez o sol recuar em 10 graus. Confirmada a Palavra de Deus o rei viveu mais 15 anos e nesse período teve um filho cujo nome era Manassés.

Diferente de seu pai, Manassés fez exatamente tudo aquilo que era mau perante o Senhor a ponto de entregar seu próprio filho como sacrifício aos deuses pagãos a quem adorava. A bíblia diz que seus atos foram piores do que os cometidos pelos amorreus antes dele (2 Reis 21:11). Ele é considerado o pior rei que Israel já conheceu e suas influencias levaram muitos a apostasia. Mas o Soberano de Israel é misericordioso e deu a oportunidade desse rei se arrepender. O iníquo rei reconheceu seus atos pecaminosos e se arrependeu humilhando-se diante do Senhor. Deus o ouviu e o perdoou, mas já era tarde demais para salvar o reino de sua influência. Manassés morreu e em seu lugar reinou seu filho Amom que escolheu fazer exatamente o que seu pai havia feito e por isso seu reino não durou mais do que dois anos. 

Dessa linhagem problemática surge o personagem central dessa meditação: Josias. 2 Reis 22:1-2 diz o seguinte:

"Tinha Josias oito anos de idade quando começou a reinar e reinou trinta anos em Jerusalém. [...] Fez ele o que era reto perante o Senhor, andou em todo o caminho de Davi, seu pai, e não se desviou nem para a direita nem para a esquerda."

Esse pequeno trecho já resume boa parte da história de Josias. O texto que se segue no relato de Reis apenas comprova a sentença "fez o que era reto perante o Senhor". Josias resolveu romper com o círculo vicioso no qual estavam inseridos seu avô e seu pai. Ele não quis reinar por si, ele quis reinar de acordo com a vontade de Deus. Esse ato trouxe bençãos sobre o povo. Por causa de seus atos, ele foi considerado o melhor rei que já existiu sobre Israel. 

Sabe o que eu aprendo com toda essa história? Eu aprendo que quando saímos do trono e deixamos Deus reinar em nosso lugar, então somos reconhecidos como filhos seus. Quantos hoje correm de um lado para o outro buscando a satisfação pessoal do possuir. Querem um status social, um emprego de alta patente, o carro do ano, uma mansão mobilhada. Sonham com coisas terrenas e correm atras de acumular bens para o seu bel prazer. Tenho notado que a vida no mundo se tornou apenas uma busca desesperada por bens que logo perde seu valor, que logo perde seu significado. Então passamos a vida correndo e correndo contra o tempo. Nesses momentos esquecemos de seguir a vontade de Deus e somos capazes ate de tomar atitudes desesperadas para ter a falsa noção de que estamos no controle de algo.  Como somos ingênuos...

Quando eu leio o relato da história de Josias e de seus antepassados eu lembro daquela brincadeira infantil que citei no início porque naquele momento em que todos ao meu redor pareciam saber o que fazer eu estava perdida. Precisei dar meu braço a torcer, sair da direção e aceitar a ajuda de alguém que era mais experiente que eu. Foi exatamente o que Josias fez. Ele resolveu em que sairia da direção, sairia do trono e deixaria Deus reinar em seu lugar. Ele faria diferente do seu avô e do seu pai. 

Deus tem feito apelos ao nosso coração desde a fundação do mundo. Ele diz que sabe os pensamentos que tem a nosso respeito e que deseja desesperadamente mudar o curso de nossas histórias. Ele tem nos lembrado de tudo o que fez na vida de tantas pessoas e pedido apenas um espaço para entrar. Só que geralmente nos achamos bom demais para ter a ajuda Dele. Nos achamos bons demais para dar o braço a torcer e dizer que precisamos Dele. Só lembramos que precisamos de ajuda no último momento, quando tudo aprece escorrer por nossas mãos como água. Nós olhamos ao redor e vemos todos prosperarem, todos andarem. Vemos os carrinhos ligados enquanto o nosso não sai do lugar. É apenas nesses momentos que entendemos que precisamos de ajuda. 

Nesses últimos dias tenho aprendido que não temos o controle de nada. Nos deitamos com a agenda do dia seguinte estruturada em nossa mente e acordamos numa realidade totalmente nova. O dia ensolarado deu lugar a uma chuva que arrasou com milhares de famílias. Rumores de gerras nos cercaram, mas o que nos derrubou foi um vírus tão pequeno que não pode ser visto a olho nu. São nesses momentos que eu começo a perceber a fragilidade da vida humana. Eu começo a entender o que o sábio quis dizer em Provérbios 16:1-2:

"O coração do homem pode fazer planos, mas a resposta certa dos lábios vem do Senhor. Todos os caminhos do homem são puros aos seus olhos, mas o Senhor pesa o espírito."

A verdade é que não sabemos de nada. Nossos planos são fajutos e pequenos demais. Que o nesse momento nasça em nosso coração o desejo de fazer diferente. Que nesse momento de incertezas possamos ter em mente que Deus sabe o que é melhor para nós. Deixe o trono de sua vida disponível e convide Aquele que criou o mundo para dar curso a sua vida. Permita que ele entre em sua vida, em sua casa, e faça a reforma necessária. Deposite seus medos aos pés Dele e com certeza ele irá restaurar sua história e te dar um novo significado. 

Eu encerro com o conselho do sábio: 

"Confia ao Senhor as tuas obras, e os teus desígnios serão estabelecidos." Provérbios 16:3


Confie Nele e Ele irá restaurar tudo o que parece quebrado e destruído. 

Deixe que ele esteja no controle! 






referências bíblicas:  
➾ Isaías 38 
➾ 2 Reis 18-23
➾ Provérbios 16: 1-3

terça-feira, 24 de março de 2020

Verbo: o Agente Ativo


       Adoro passear pela bíblia, como vocês já sabem. Hoje estava refletindo sobre a linguagem que foi responsável pela criação do mundo após ler um texto de um livro secular que dizia que a linguagem permite "nomear, criar e transformar o universo real". Como seres humanos limitados que somos não temos o poder de criar o mundo do zero, mas alguém pôde e esse mesmo Alguém tem promessas maravilhosas para nossas vidas em toda sua carta de amor: a Bíblia. Então sem mais delongas, eis a minha descoberta do dia.




"No princípio criou Deus os céus e a terra." Gênesis 1:1


       Observe que no versículo acima a palavra "criou" pode ser tida como um verbo regular e é classificada como pretérito perfeito no indicativo. O verbo criar nos dá uma ideia de ação, isto é, um agente (que no texto em questão é Deus) no princípio criou algo: os céus e a terra.

         Milhares de anos a frente João tira uma porção de seu tempo para escrever o evangelho segundo a sua perspectiva e já no prólogo, na introdução de seu livro ele diz:


"No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus e o verbo era Deus." João 1:1


        O Evangelista inicia o seu livro convidando-nos a uma releitura de toda a bíblia. Quando lemos "no princípio era o Verbo" podemos entender que Jesus (a quem o texto se refere) era o agente ativo da criação. Nessa tarefa de releitura percebemos que o próprio Cristo é a chave de toda história do mundo. 

         Ele era o Verbo que estava no princípio. O verbo de ação "criou" está relacionado diretamente ao agente ativo da criação: o Logos, o Verbo, o Deus, o Cristo e isso é refutado no mesmo capítulo de João porém alguns versículos a frente:

"E o Verbo se fez carne, e habitou entre nós, e vimos a Sua glória, como a glória do unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade." João 1:14


O Agente ativo da criação se fez carne para revelar os segredos divinos e depois retornar ao pai. 

         Ainda sobre a relação do primeiro versículo de Gênesis notamos que antes de qualquer coisa existir a Palavra já existia e foi a partir dela que tudo foi criado. A Palavra está diretamente relacionada a Sabedoria divina. Foi essa sabedoria em conexão com a Palavra que criou não apenas o mundo, mas todo o universo. A vida! O casamento entre Sabedoria e palavra que dá o curso de nossa história.

        Sabe como podemos comprovar isso? 

       No texto de João 1 o evangelista declara "o Verbo estava com Deus" e "se fez carne e habitou entre nós". O Verbo, na figura de Jesus Cristo, tinha a missão de salvar a humanidade e devolver a vida. Os primeiros seres humanos feriram o mundo com o pecado e desde então temos enfrentado as dores dele. Toda a bíblia á uma carta de amor na qual o Agente Ativo, o Verbo, o Logos, promete não nos desamparar e promete nos devolver a vida e criar tudo de novo. Ele estava no princípio, participando da criação da raça humana. Quando esta se perdeu Ele se ofereceu como libação pelos pecados. Veio ao mundo, cumpriu seu papel e agora está junto ao pai fazendo expiação por cada um de nós para que em breve possamos estar com Ele. 


Assim como o verbo criar é um verbo de ação o verbo salvar o é. 


        O Verbo, Agente Ativo de nossa história, deseja manifestar em nossas vidas essas duas ações. O mesmo que nos criou (Barehit bará Elohim, no hebráico) deseja nos salvar.


"En arche en o Logos, Kai o Logos en pros tos Theon, Kai o Logos en Theos." João 1:1


O Verbo. O Agente ativo. O Cristo. Ele estava no princípio. Ele é Deus!






Leia também: O logos é aquilo que se opõe ao mito

terça-feira, 31 de dezembro de 2019

"De boas aqui no peixe indo para Nínive."


Exagerado? 
Creio que não, queridos!
Me peguei refletindo quem são os Jonas da atualidade.
Jovens que arrotam santidade e que acham que todos os outros que são diferentes de si estão condenados ao juízo de Deus. 

Ah Jonas... 
Como eu queria acreditar que em seu lugar faríamos diferente. 
Como eu queria acreditar que seu exemplo ensinaria o que não fazer.
Como eu gostaria de acreditar que não fugiríamos ao chamado de Deus. 
Mas acontece que fugimos e fazemos até pior que você.

Seríamos capazes de nos lançarmos ao mar de propósito só para tirar uma selfie na barriga do peixe e lá dentro, ao invés de refletir e nos arrepender dos nossos feitos, ficaríamos ansiosos pela próxima parada só para mais uma vez tirar uma foto aqui e outra ali com a legenda "Aqui de Nínive pregando o juízo" 

Vivemos em uma sociedade imatura e superficial (e não se engane, essas críticas servem principalmente para mim). Em nossa rotina ocupada, sequer lembramos de Deus. Buscamos conquistar coisas para nós mesmos. Alçar nossos próprios vôos. Pintamos a imagem de boa moça ou bom moço, que dá aos necessitados e abraça os carentes, mas somos os primeiros a jogar pedra quando um irmãozinho nosso comete um "pecado mais grave que o meu". Esquecemos então de todas aquelas palavras bonitas que publicamos, das vezes em que dissemos que precisamos amar o outro independente de quem ele seja ou das escolhas que tenha feito. Nos tornamos exatamente igual a Jonas: que se revoltou quando Deus deu uma segunda chance aos ninivitas. Não gostamos de dar segundas chances a quem "buscou juízo sobre si".

Não somos melhores que ninguém. Nossa religião, raça, gênero, nada disso nos faz melhor do que ninguém. A bíblia diz que todos somos pecadores e necessitamos desesperadamente da misericórdia de Deus. O pecado do outro não é pior do que o meu só porque é público. O outro não é pior que eu só porque não toma as atitudes que acho certa. 

Desejo 2020 que esse seja um ano diferente. Um ano de renovação de mente e alma!

segunda-feira, 30 de dezembro de 2019

Uma curiosidade...

Em hebraico a palavra pecado é chattat (da raíz "chet") significa errar o alvo ou mudar a direção

Certamente você já jogou ou já viu na televisão aqueles joguinhos de tiro ao alvo onde o jogador precisa acertar uma pequena seta no centro fixo do alvo. Nesse jogo é mais fácil errar do que acertar o alvo. 

O pecado é assim em nossas vidas.

Porque pensamos que pecado é apenas adultério, assassinato, roubo, inveja... Mas pecado é mais do que isso.

O pecado diz respeito à qualquer coisa que não seja o centro fixo. Trata-se de qualquer coisa que rouba o centro da nossa vida que deveria ser Deus.

Quando deixamos de permitir que o melhor de Deus seja manifesto em nossas vidas, nós deixamos de permitir que Ele seja nosso centro fixo. Erramos e erramos o alvo porque nossa natureza humana é pecaminosa.

Deixe Deus ser o centro fixo de sua vida. Confesse seus pecados e recomece!

terça-feira, 3 de dezembro de 2019

O tempero impressindível

Certamente você já comeu uma comida sem sal. Eu era mestre em esquecer do sal nas comidas e isso é motivo de chacota até os dias de hoje em minha casa, isso me leva a te fazer concordar que é muito ruim ingerir uma comida sem tempero e sem sabor. São as famosas comidas de hospital: você só sente a textura do alimento, porque o gosto não existe. Mas porque estou falando de sal no texto de hoje? Continue a leitura e você irá descobrir...


O povo de Israel estava às margens do muro de Jericó. Era o sétimo dia e Josué sabia que naquele dia Deus entregaria aquela cidade nas mãos do seu povo escolhido. Na sétima volta a promessa se cumpriu e todo o muro veio ao chão. Jericó e seus moradores foram destruídos sobrando apenas Raabe, a ex- prostituta, e todos que estavam dentro de sua casa. Assim que foi cumprida a promessa de Deus e estando a cidade e os muros em ruínas Josué ajuntou o povo para uma última lição. Frente a fina fumaça que subia e o silêncio do fim daquele dia Josué fez o o povo jurar e dizer: "Maldito seja o homem que reconstruir a cidade de Jericó: com o preço de seu filho mais velho lançará alicerces da cidade e ao preço do seu filho mais novo porá suas portas." (Josué 6:26)

As orientações transmitidas pela boca de Josué foram bem claras e antes de sua morte mais uma vez ele ajuntou o povo e relembrou de tudo aquilo que havia acontecido em toda a trajetória do povo até que enfim eles conquistaram a terra prometida. Jericó era o centro de adoração a deusa Astarote e seus cultos envolviam as formas mais imorais de culto cananeu. A degradação humana podia ser vista naquele lugar e Deus não tolerava isso. Muitos são os que têm dito que o Deus de Israel é um Deus ciumento e que não tolera outros deuses. Acontece que o culto a esses tantos deuses sempre representaram a degradação e ruína de seres que Ele criou com suas pró´rias mãos a Sua imagem e semelhança. Levar o ser humano a destruição é corromper a obra prima de Deus. Que artista gosta que sua arte seja destruída? Mas o inimigo de nossas almas, Satanás, a todo tempo procura perverter o que Deus criou e faz com que a imagem de um Deus intolerante e ciumento surja na mente de muitos que hoje andam pelo mundo.

Voltando a história de Jericó, a orientação vinda de Deus foi bem clara: maldito será o homem que a reconstruir. Cinco séculos se passaram e a cidade ainda estava em ruínas e até mesmo as nascentes das águas eram amaldiçoadas oferecendo às pessoas uma água amarga e imprópria para o uso. Foi nesse tempo que Jezabel, a rainha mais terrível que a bíblia relata, começou suas influências satânicas sobre o povo e com isso restaurou o culto a Astarote bem como a reconstrução da cidade de Jericó. Cumprindo-se a profecia, os dois filhos do construtor morreram (1 Reis 16:34) e mesmo reconstruída o elemento essencial para a sobrevivência ainda era imprópria para uso. Acontece que pouco antes da morte da rainha Jezabel, Eliseu, sucessor de Elias, foi até a escola dos profetas que ficava bem próxima da cidade em questão. Certamente sua fama o precedia e então alguns homens foram ao seu encontro solicitar que ele purificasse aquelas águas que há tanto tempo dificultaram a vida naquela cidade. Frente ao pedido Eliseu solicita uma coisa simples: sal. E com uma pequena tigela de sal ele, investido pelo poder de Deus, torna aquelas águas puras e enfim próprias para o uso. (veja em 2 Reis 2:19-22)

Ao longo da história Deus têm nos alertado sobre a "cidade de Jericó". Se usarmos linguagem figurada podemos considerar a cidade de Jericó como sendo todas aquelas que não representam o caráter de Deus e que dia após dia tem trocado a experiência com Ele pelos prazeres momentâneos da vida. Muitas vezes essas pessoas se veem destruídas, sem enxergar a luz. A nascente de coisas boas de sua vida está em ruínas e elas têm se tornado pessoas amargas, que não atraem ninguém. Qual a solução para essas pessoas? Qual a luz no final do túnel que elas têm?

Mesmo que Deus tenha amaldiçoado aquela terra, Ele interveio quando o povo precisou com um elemento simples: o sal. Deus é compassivo e usou essa oportunidade para revelar o Seu mais profundo desejo de sarar e purificar Israel de todos os males que vinha enfrentando até ali. Ao jogar sal naquelas águas Eliseu ensinou ao povo o mesmo que Jesus pretendia ensinar aos seus discípulos muito tempo depois: "Vocês são o SAL da terra." (Mateus 5:13) Ao misturar o sal na nascente poluída as águas se tornaram tão puras e tão límpidas que até os dias de hoje ainda fazem parte daquela região (veja no link ao final do texto).

A lição que Deus nos ensina através desse relato é que muitas pessoas hoje andam amarguradas na vida, com o pecado em seu coração. Muitas têm se entregado a depressão, ansiedade e pânico unicamente porque não receberam ainda uma influência que lhes apresentasse uma vida diferente. Muitas delas terão sua vida mudada e voltarão a enxergar a luz unicamente a partir de um contato pessoal. Foi por esse motivo que Jesus nos chamou de sal da terra. Quando aceitamos seu evangelho e sua verdade temos o dever de anunciar as boas novas para o mundo que padece de coisas boas. O Espírito Santo de Deus produz vida e faz com que homens e mulheres fracos e falhos se tornem instrumentos vivos em Suas mãos.

Meu desejo hoje é que você, querido amigo, se deixe ser transformado pela palavra de Deus e assim possa ser influenciador em Sua obra:

"E não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos
 pela renovação do vosso entendimento, para que experimenteis qual 
seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus." Romanos 12:2 

Não podemos conformar com o mundo do jeito que ele está. Não podemos nos amoldar aos seus costumes. Precisamos de uma renovação diária.

Você é o sal da terra! Você é um tempero indispensável para dar sabor à vida das pessoas!

Oro para que Deus nos transforme a cada dia e que nos dê o senso de responsabilidade do evangelho.

Sejamos sal!







* A fonte de Jericó que Eliseu purificou: https://www.viajeparaisrael.com.br/fonte-de-eliseu/